Por: Assessoria de Imprensa | Publicado em: 07/11/2019 15:32:43

Adolescentes apresentaram duas danças no lançamento do projeto da PUC-SP, ocorrido no auditório Paulo Freire, no TUCA

 

Ensaios, repetição, concentração, ansiedade antes. O dia chegou. Roupas alinhadas, com cores que traduziram a beleza da cultura envolvida em cada dança. Cabelos modelados à escolha de cada uma das 14 adolescentes que cumprem medida socioeducativa de internação no CASA Chiquinha Gonzaga, para demonstrar toda a beleza que sentiam daquele momento, mesmo que tecnicamente fosse uma saída externa.

Olhares juvenis curiosos. Uma escadaria até o auditório que parecia infinita tamanha a ansiedade delas. A espera para entrar em cena. O nervosismo que só perdeu para o anseio de mostrar sua arte para plateia formada por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

As duas apresentações de dança das jovens do CASA Chiquinha emocionaram a plateia lotada durante o lançamento do Observatório do Racismo, da PUC-SP, ocorrido na última quarta-feira (06 de novembro), no auditório Paulo Freire, no TUCA.

“Foram fantásticas as apresentações das meninas! Quando o público soube que são adolescentes que cumprem medida da internação, alguns suspiraram e se surpreenderam”, conta a coordenadora pedagógica do CASA, Andréia Motta, que acompanhou as jovens.

Na programação, as jovens, em grupos distintos, apresentaram um forró contemporâneo e uma dança afro-brasileira. No forró, a arte educadora Soraya Machado, da organização social Ação Educativa, concebeu a coreografia intitulada “Bonecas”, ao som da música “Xique Xique”, do cantor e compositor Tom Zé.

A segunda exibição foi uma dança afro-brasileira baseada na canção “Banho de Folhas”, da cantora e compositora Luedji Luna. A concepção coreográfica foi da profissional de Educação Física Eliani Aranda, funcionária do centro socioeducativo, inspirada no poder das águas, das flores e dos orixás.

“No início ficamos muito nervosas. Depois da dança, foi uma sensação incrível de realização, porque nos esforçamos muito e nos ensaios achávamos que não iríamos conseguir”, conta a adolescente Natália (nome fictício), de 16 anos, que participou das duas coreografias. “Mostramos o nosso potencial e é bom saber da nossa capacidade e que há caminhos fora do centro.”

“Elas trabalharam em equipe, com muita empatia e unidas. Foi muito mais do que uma apresentação. É um trabalho pedagógico que resulta num tremendo desenvolvimento para as jovens”, avalia a coordenadora pedagógica. “Mais uma vez as meninas se superaram.”

Na Fundação CASA, os jovens em internação participam de oficinas de arte e cultura, em diferentes expressões e linguagens artísticas, que acontecem duas vezes por semana, em ciclos trimestrais. Elas são ministradas por arte educadores de organizações sociais parceiras.

O Observatório é um espaço de pesquisa e discussão acadêmica, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUC-SP, por meio do Núcleo de Relações Raciais: Memória, Identidade e Imaginário. A iniciativa é coordenada pela professora de Ciências Sociais Teresinha Bernardes, da PUC-SP, especialista em temas como racismo, candomblé, relações de gênero e cultura afro-brasileira

Houve ainda exibição da oficina de percussão do Coletivo llé Ìyá Ódò Àse Aláàfin Òyó, do Projeto Acaçá Sabores e Encantos.

A programação contou com debate entre Edna Roland, especialista da Organização das Nações Unidades (ONU) para implementação da Declaração e Programa de Ações de Durban; Francisco Jimenéz, pesquisador do Instituto de Paz e Conflitos da Universidade de Granada; e Acácio Almeida, pró-reitor de Assuntos Comunitários e Políticas Afirmativas da Universidade Federal do ABC (UFABC).