Por: Assessoria de Imprensa | Publicado em: 07/10/2019 19:26:05

Esportistas profissionais explicaram o esporte e fizeram vivência com os adolescentes

 

Olhar além dos limites impostos ao corpo – seja por ter nascido com deficiência, seja por adquiri-la ao longo da vida – e dedicar-se a uma prática esportiva, colaborando para a saúde física e mental, pois, afinal, no mínimo, eleva a autoestima.

Sob esse olhar, quatro atletas de rúgbi paraolímpico (ou rúgbi em cadeira de rodas) conversaram com 28 adolescentes que cumprem medida socioeducativa de internação no CASA João do Pulo, no Complexo da Vila Maria, em São Paulo, e demonstraram técnicas de um esporte de contato que, sim, também pode ser praticado por quem possui deficiência física. O bate-papo aconteceu no dia 27 de setembro, na quadra do centro socioeducativo.

Os atletas Julio Cesar Valins e Cleuton Nunes, da equipe paulistana Ronin’s Quad, Gabriel Feitosa, da Seleção Brasileira de Rúgbi Paraolímpico, e Lucas Junqueira, que atua tanto na Seleção quanto na equipe paulistana, contaram suas histórias de vida e os motivos para suas deficiências.

Todos, exceto Feitosa, sofreram algum tipo de acidente cujo resultado foi a deficiência física. Nunes, por exemplo, teve as duas pernas amputadas após um acidente de moto. Gabriel Feitosa, ao contrário, já nasceu com deficiência motora.

Os profissionais ressaltaram que as pessoas com deficiência enfrentam muito preconceito. “As pessoas acham que somos como cascas de ovos: se nos tocarem, quebramos”, contou Cleuton Nunes. “O rúgbi desmistifica isso, porque é um esporte de contato”, completou o atleta.

Eles ainda destacaram que a atuação pelo time paulistano Ronin’s Quad vai além da prática esportiva. O ambiente é familiar, em que a troca de experiências possibilita a todos aprenderem que não são limitados, uma vez que todos trabalham, possuem família e amigos, além do próprio amor ao esporte.

Após o bate-papo, os atletas demonstraram algumas técnicas aos adolescentes, interagindo em pequenas partidas com uso de cadeiras de roda e bolas trazidas por eles.

“O objetivo original era impactar os jovens sobre a importância da vida, mas conseguimos mais. Os atletas tocaram o coração dos rapazes, despertaram sentimentos como solidariedade, amor ao próprio e empatia”, observou a diretora do CASA João do Pulo, Paula Siniciato Canavese. “Foi uma troca de experiências inexplicável!”

O jovem Giovani (nome fictício), que assistiu à palestra, homenageou os profissionais com um agradecimento: “Vocês são um exemplo de superação para nós, porque também sofremos preconceito. Hoje, mesmo com toda a dificuldade para chegar aqui (ao centro), vieram e nos fizeram sentir importantes”.

“Foi gratificante receber os atletas, pois os adolescentes realmente se emocionaram”, avaliou a diretora da Divisão Regional Metropolitana Norte (DRM-V), Adriana Pereira Gomes Souza. A DRM-V é a divisão regional responsável pelo Complexo Vila Maria.